Artigos, Educação › 04/06/2020

Podemos aproveitar a quarentena como oportunidade para transformar a educação

Série: “O desafio de professores e alunos durante a pandemia”

Capítulo 2

Por Raíssa Marconato Marques*

O relato da professora Raíssa mostra que o impacto da quarentena foi menor nas escolas bem estruturadas tecnologicamente. Mesmo antes da pandemia, os estudantes da unidade em que ela trabalha já não usavam livros ou cadernos. E desde 2019, eles tinham uma aula online por mês, o que facilitou a adaptação para alunos e professores.

Raíssa Marconato Marques

Dar aulas em meio à pandemia.
Como fica a educação nesse momento?
Imagino quantas interrogações!
Como uma atividade altamente realizada no “corpo a corpo” vai funcionar no modo distanciamento social?
Para minha felicidade, a escola na qual leciono atualmente – Fundamental II e Ensino Médio, com aulas em período integral – já estava preparada para essa situação. Não que a escola tenha profetizado a pandemia, mas é uma tendência a educação a distância e a digitalização da educação. Sendo assim, algumas práticas já eram discutidas e adotadas. Por exemplo: os nossos alunos não têm cadernos e nem livros. Todos usam tablets e o conteúdo é produzido por nós, professores, segundo a realidade que vivemos.
Nossa escola é uma escola para formar gestores em negócios. No meu caso, leciono química voltada e atendendo as necessidades dos negócios aos quais a escola está inserida.
Então a comunicação com o mundo da internet já é algo bem consolidado. Usar e consultar a web é rotina.

Aulas online já faziam parte da rotina

Além de que, desde 2019, um dia por mês, as aulas aconteciam no modo online. Professores e alunos não iam para escola e as aulas eram ministradas em meio virtual. Aulas normais, com a mesma interação da sala de aula.
Inclusive, no último alagamento que houve na cidade de São Paulo, a diretora mandou uma mensagem, via WhatsApp, logo cedo, que as aulas aconteceriam online e assim não perdemos o dia letivo.
E hoje, por ocasião do isolamento social, continuamos desde o primeiro dia com essa modalidade de aula, sem interferências. Claro que, na primeira semana, sentimos com o excesso de tempo sentados à frente do computador, dores nas pernas, pés inchados. Mas também isso foi prontamente resolvido. De cada aula foram tirados 10 minutos e entre todas as aulas temos esses pequenos intervalos – beber água, alongar, pequena caminhada… Foram ações que fizeram toda a diferença na qualidade e na produtividade.

Provas

Aí, chegou um outro desafio… o período de provas trimestrais! Conversamos, em reuniões, estudamos, refletimos e as provas aconteceram, respeitando o momento inusitado que vivemos. Vendo que, aqui reside uma forte transformação na educação – as avaliações não podem mais ter esse formato tradicional, em testes ou respostas decoradas, mas sim que façam o aluno raciocinar, refletir, com colaboração. Ou seja, todos têm à sua frente uma internet inteira para consultar.

Otimismo: aproveitar o momento para transformar o ensino

O que o nosso aluno é capaz de fazer à frente de tanta informação assim?
Sou otimista em pensar esse momento que a Educação do Brasil está vivendo. Cabe a nós abraçarmos essa causa e seguir em frente.
Não que eu esteja feliz com tudo que está acontecendo, mas sinto a oportunidade de transformação que podemos promover. Estou com muitas saudades dos meus alunos, eu queria mesmo era estar lá à frente da sala e vendo toda essa juventude aflorando.
Tudo vai passar e logo estaremos todos juntos, com a graça de Deus.

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*Raíssa Marconato Marques é professora no Instituto Germinare, que fica no Parque Anhanguera, em São Paulo.
www.institutogerminare.com.br

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