Notícias da paróquia › 10/11/2020

O meu Tremembé

Por Deley Ribeiro*

Largo do Tremembé, década de 1960

Neste dia em que o Tremembé faz 130 anos, veja as memórias relatadas pelo empresário Deley Ribeiro para contar um pouco a história do nosso bairro

Nesta época de aniversário do querido Tremembé, fui instado por meu amigo e membro da Pastoral de Comunicação da Igreja de São Pedro, Alexandre das Neves, a contar histórias marcantes sobre o Tremembé.
Num primeiro instante, confesso que fiquei surpreso, e respondi a ele que seria muito difícil contar uma história de uma História, principalmente pelo fato de minha própria História fazer parte deste contexto, assim como a de todos os meus amigos de mocidade.
O Tremembé que existe em minha memória, é um lugar encantado, delimitado pelo Recanto do Abafa, pelos eucaliptos no fim da subida da Parada Sete para a Santa Inês, e pelo Horto Florestal em sua divisa com a Pedra Branca.
A Serra da Cantareira, um maravilhoso manto verde que cobre toda a encosta que o acolhe como num abraço, emoldurado por casas simples em suas construções, mas soberbas em suas presenças, com jardins amplos, repletos de flores.

Deley Ribeiro: o Tremembé que existe em minha memória

É um Tremembé de ruas estreitas, como devem ser todos os caminhos que percorrem um bosque mágico, serpenteando por entre árvores e amplos espaços para se viver uma vida saudável e profícua.
Um lugar coloquial e com ares provincianos, onde todo mundo se conhece e se respeita, onde todo mundo de alguma maneira tem laços familiares enraizados no seio social, resultado da expansão familiar dos que chegaram primeiro, e viram suas proles crescerem, se entrelaçando com outras contemporâneas.
Basta vermos ainda hoje suas adjacências, que já fazem parte de seu núcleo, como a Vila ROSA, a Vila ARNONI, a Vila ALBERTINA, a Vila MARIETA e tantos outros nomes de ruas que perpetuaram suas raízes neste lugar arrebatado pelo bem-estar de todos.
Neste Tremembé lembrado, ainda existe um trenzinho, puxado por uma Maria Fumaça barulhenta, que expele fagulhas, e emite um grito rouco cada vez que se aproxima ou sai de suas estações, como quem quer avisar bem alto, que já era hora de acordar, de chegar. Ou de partir.
Ainda existe uma padaria no Largo, um cinema chamado Ipê, com um imenso depósito de materiais de construção em frente, um bar do bilhar, uma banca de jornais, e uma linda Igreja de S. Pedro, a destacar-se na dobra da curva de seu caminho mais nobre.
Ainda tem a casa da Gruta, o Recreio Holandês, a Fonte Gioconda, o Grupo Arnaldo Barreto com toda sua galerinha barulhenta, circulando e dando vida à tranquilidade perene do lugar.
Isso sem falar do Colégio Santa Gema, com suas freiras austeras com seus hábitos esvoaçantes…

Existe ainda uma cancela que fecha a rua principal para o trenzinho passar, um barbeiro que te pergunta se você quer um corte americano, que afia uma navalha numa tira de couro, que te passa álcool puro na cara e que te passa quina petróleo no cabelo.
Ainda estão lá as turmas do Tremembé, do Horto, da Vila Rosa, da Fazendinha, da Vila Albertina, da Cantareira, a conviverem pacificamente e sem distinção.
No meu domingo, ainda existem clássicos do futebol varzeano como Silvicultura x Tremembé, Cantareira x GUVA ( Grêmio Unidos da Vila Albertina ), Parada Sete x Vila Rosa, quando o bicho pega realmente, mas uma semana depois estará tudo resolvido num encontro regado a cerveja.
Ainda vejo o Padre Bruno passar com seu inesquecível jeep e acenando pra muitos, emendar o recado…
“- Te espero na missa…ÊTA PADRE BRAVO !!!!
Enfim,
No meu Tremembé não morreu ninguém,
com todo mundo aí nesse vai e vem,
num trenzinho eterno que o lembrar mantém,
e um padroeiro terno a nos dizer amém!

Deley Ribeiro é empresário e mora na Parada Sete

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.