Artigos, Educação › 02/06/2020

A pandemia mudou o mundo e a minha escola

Série: “O desafio de professores e alunos durante a pandemia”

Capítulo 1

Por Renata Borges*

Como a quarentena provocada pelo coronavírus mudou a rotina na EE Izac Silvério, no Tremembé. A diretora Renata conta como professores e alunos tiveram que se adaptar à nova realidade. O desafio foi maior porque parte dos estudantes da unidade não tem acesso à internet em casa.

Renata Borges, pedagoga

“Eis que um belo dia, mais precisamente dia 23 de março de 2020, acordo como todas as manhãs para ir trabalhar e o mundo não é mais o mesmo. Isso que você acabou de ler. Não era mais o mesmo. Quando chego na escola há 15 ou 20 alunos no máximo, dentro de um universo de 400. E todos estão envolvidos com o novo noticiário, de que estávamos sendo atacados por um inimigo invisível aos olhos humanos.
Os alunos da escola em que trabalho são dos anos iniciais, faixa etária dos 6 aos 10 anos. Naquele momento eles olhavam para as professoras sem saber o que estava acontecendo e a incerteza permeava aqueles semblantes assustados.
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Secretaria Estadual da Saúde, decreta isolamento social por conta da pandemia que acabara de afetar o país. Pandemia esta que só ouvíamos falar nos noticiários e em países tão distantes que jamais poderíamos imaginar que chegaria em nós. A partir deste momento cada um teve que ficar em casa com suas famílias.

Aulas online – e o acesso à internet?

No primeiro mês Letivo foram decretadas férias escolares e penso que até aquele momento as “coisas” pareciam que logo entrariam nos eixos. Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu. A situação ganhou corpo e os alunos precisaram retomar as atividades pedagógicas online. Online? Sim, isso mesmo. Os alunos da escola em que trabalho pertencem a uma comunidade onde o acesso à internet e os recursos tecnológicos são para poucos.
A Secretaria da Educação disponibilizou um aplicativo onde não é necessário utilizar a própria internet para assistir às vídeoaulas. A escola também buscou alguns recursos tecnológicos como as redes sociais para que os alunos tenham minimamente um contato com o professor de sala já que nesta fase escolar este contato se faz tão importante no processo de ensino aprendizagem.

Escola sem alunos não tem vida

Está dando certo? Penso que sim. Mesmo que os conteúdos propriamente ditos não estejam chegando a 100% dos alunos sinto que todos estão envolvidos com educação, sem exceção. Estão com uma certeza: o professor, a escola e os alunos nunca serão substituídos nem pelo melhor recurso tecnológico, porque para que exista uma formação integral do ser humano ele precisa ter contato visual com o outro, precisa tocar, sentir, cheirar…precisamos do ar do outro para nos completarmos enquanto pessoa.

Escola vazia

E a escola? Ah….ela esta lá vazia, sem vida….todas as vezes que preciso ir na unidade pessoalmente caminho pelos corredores e percebo que a alma de lá são os nossos alunos, os nossos professores, aquela dinâmica do dia a dia, corre, pega, grita, abraça o amigo, entrega flores para a ‘prô’, apito na quadra, sinal que bate, rs. Mas acredito que logo estaremos juntos, mais fortalecidos e com uma certeza: a educação edifica pessoas!”

__________________
*Renata Borges, é pedagoga, mestre em Educação pela PUC-SP e atualmente é diretora da Escola Estadual Izac Silvério, no Tremembé, Zona Norte de São Paulo.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.